Escola de empreendedorismo itinerante para jovens




  Wellington Santos Silva e Juliana Cristina Freitas Silva se conheceram no curso de Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).   
 
 Hoje, além de um casal, formam a dupla empreendedora que toca o Empreendescola, programa de formação de empreendedores com foco em jovens em condições de vulnerabilidade social criado em 2012.

 Ao todo, já visitaram 12 cidades mineiras e paulistas, formaram 17 turmas e impactaram cerca de 300 jovens. O intuito não é apenas formar perfis empreendedores, mas ensinar a esses jovens uma mentalidade mais proativa e voltada para a resolução de problemas.

 Estruturado como um negócio social, o Empreendescola vende seu produto para o poder público, entre prefeituras e governos estaduais, que elogiam o projeto por abordar um tema diferente. “É uma ótima forma de criar uma geração voltada para a ação”, explica Wellington.

 Em 2017, a meta é chegar a 40 turmas, um crescimento superior a 40% no número de alunos e de 50% em faturamento. “Também queremos começar a premiar os melhores alunos e dar início à rede Empreendescola, em que todos os ex-alunos terão benefícios e poderemos manter contato.”
Por que Empreendescola

 A ideia veio justamente dos bons tempos que tiveram durante a graduação. “Fomos bolsistas do PROUNI e sempre pensávamos em voltar à escola para mostrar como era legal essa tal de universidade, que mudou nossas vidas”, conta Wellington.

 A vontade começou a se tornar realidade no Laboratório, programa de formação de lideranças do Na Prática que dá ferramentas para os participantes tirarem suas ideias do papel. Quando chegou a hora de dar o salto – como é chamado o desafio do curso que deve ser implementado ao longo do mês entre um módulo e outro –, eles resolveram desenvolver o programa de verdade.

 Ao lado de três colegas do programa, viajaram até Poços de Caldas, em Minas Gerais, para realizar o salto em si: uma conversa sobre empreendedorismo em uma escola. “Tenho até vergonha da primeira versão, que era uma palestra com brincadeiras só para ver se o jovem estava interessado em nos ouvir”, diverte-se Wellington.

 Com o interesse comprovado, começaram a estruturar o projeto, que no começo levava aulas de empreendedorismo às escolas públicas do interior. Com o tempo, foi tomando sua forma atual: uma escola de empreendedorismo itinerante com uma formação gratuita e que estimula empreendedorismo e protagonismo ao longo de dez encontros semanais.

 Depois do Laboratório, “mudou praticamente tudo”. Foi lá que a dupla aprendeu ferramentas, dinâmicas de grupo e práticas de monetização, entre outros conhecimentos, que utilizam no cotidiano do Empreendescola.

 Eventualmente, o projeto foi acelerado pela Red Bull Amaphiko e ficou entre os finalistas do prêmio Assis Chateaubriand. “A única coisa que continua é nossa vontade de impactar, que só aumenta.”
Mudança de estratégia

 A estratégia virou outra após a dupla avaliar os obstáculos do trabalho direto com escolas, que envolvia os poderes estaduais e municipais, e perceber que um caminho mais fácil seriam os centros municipais de assistência social.

 “Esse setor tem uma dificuldade gigantesca de atração de público e a grande captação é uma das nossas fortalezas”, explica Wellington. A captação em si ainda é feita nas escolas, de forma presencial.


 Além de afinar o conceito, a participação no Laboratório ensinou conceitos como lógica de effectuation, matriz de esforço e resultado e locus de controle interno, além de dar acesso ao Núcleo, a comunidade de ex-participantes dos programas.

 “Hoje temos três pilares no Empreendescola – conhecimento, mão na massa e rede – e são muito inspirados no que o Laboratório nos trouxe.”

 Ensinar a empreender é, acima de tudo, compartilhar uma paixão. “Eu diria que empreender é um misto de coragem, competência e falta de medo”, resume Wellington. “Dia após dia, é preciso provar que você é 200% melhor em níveis de conhecimento que muitas vezes nem imaginava serem necessários.”

 São as histórias, afirma ele, que impulsionam o projeto ainda mais. Há, por exemplo, o caso de uma jovem, uma entre seis filhos, que sonhava em mudar de vida. Depois de participar de uma oficina sobre ENEM, plataformas de estudo e possibilidades, ela se inspirou e começou a estudar.

 Depois de um ano de esforços, passou no vestibular e hoje está matriculada na Universidade Federal de Alfenas. “Ela sonhava em mudar de vida, mas nunca tinha pensado que era possível.”

 O Laboratório e o Labx, ambos cursos de formação de liderança da Fundação Estudar, ocorrem em diversas cidades brasileiras ao longo de todo o ano. Interessados em participar e tirar suas ideias do papel podem conferir as datas no site oficial.