Cuidando do cuidador: o ambiente de trabalho e os reflexos na saúde
Cerca de 40 pessoas estiveram no encontro “Cuidando do cuidador”, promovido pela secretaria Municipal da Saúde e que aconteceu no Espaço Vida Unimed, nesta segunda-feira, dia 8/9. Foram levantadas situações quanto à qualidade no atendimento de pacientes e usuários dos serviços de saúde. Médicos, nutricionistas, auxiliares de enfermagem, enfermeiras, psicólogas falaram sobre as suas experiências profissionais e de como melhorar o ambiente em que trabalham, com repercussão positiva na saúde do usuário e na equipe de atendimento.
A Especialista em Saúde Coletiva e Gestão da Saúde, Patricia Ziani Benites, disse que o profissional tem que ter a capacidade de viver contextos diferentes porque as equipes são de tamanhos variados. “Temos que tornar o trabalho mais gratificante, prazeroso, para que consigamos estar mais felizes com o que a gente faz”, disse Patrícia, monitora do encontro. Segundo ela, o trabalho é uma parte da vida, não é tudo. “Devemos tomar cuidado para não adoecermos, minando outras áreas. O primeiro usuário da saúde somos nós”, salientou. Para a especialista, o profissional da Saúde não é máquina e tem que proporcionar momentos de descontração e afeto no ambiente em que trabalha.
Para a nutricionista Silvana Schons, deve-se buscar a aproximação e fortalecer vínculos porque o público não sabe se o servidor está bem como equipe e este sentimento pode ser pressentido. “Percebemos que os trabalhos de campo ajudam na aproximação entre colegas”, disse. Segundo Silvana, é importante levar estas demandas também nas reuniões e atividades do Conselho Municipal de Saúde. Não se deve confundir confusão com algazarra. “Devemos ter equilíbrio e capacidade de entender que a prioridade é o usuário e cuidar para a euforia não extrapolar os limites do bom senso”, concluiu a nutricionista.
O médico Mário do Canto, que dirige o grupo de diabetes, lembrou que o gaúcho é visto como viciado em trabalho. “Temos uma visão de trabalho diferente, como se o lazer fosse prejudicial”, disse o médico. Ele lembrou do conceito do “ócio criativo”, proposto pelo escritor italiano Domenico Di Masi, na qual não devemos nos sentir culpados por parar o que se está fazendo para refletir e planejar. “Tem paciente que não concebe a ideia de não estar trabalhando, pelo costume de sempre estar em atividade, mesmo quando há necessidade de repouso”, disse o doutor.
Mesmo com a tecnologia de ponta, não devemos descuidar da parte humana, o lado afetivo. Segundo os especialistas, percebe-se quando o paciente não melhora, mesmo seguindo o tratamento. Mário do Canto lembrou que um paciente que necessita de hemodiálise, terá contato frequente com o mesmo médico, muitas vezes e por um longo período. “No relacionamento humano é importante o envolvimento afetivo, ter vários olhares em relação aos cuidados com o cuidador”, finalizou Patrícia Benites.
Além de Montenegro, compareceram profissionais de Canoas, Maratá, Salvador do Sul, São José do Sul, entre outras cidades da 1ª Coordenadoria Regional de Saúde. À tarde os trabalhos foram sobre a Educação em Saúde Coletiva nos municípios, projetos e ações da Comissão Interação em Ensino Serviço – CIES.
Reflexões apresentadas durante o encontro ‘Cuidando do cuidador”:
Fortalecer laços com as pessoas que são parceiras.
Trabalho não precisa ser sofrimento, e sim prazeroso.
Promover momentos de descontração no ambiente de trabalho.
Ficar atento ao ócio produtivo, parar para repensar e planejar ações.
Valorizar a liberdade e a criatividade.
Excesso de horas de trabalho prejudica a produtividade.
Relacionar-se com pessoas de outros setores.
Saber ouvir e não ter medo de falar sobre os problemas do dia a dia.
Olhar para o outro e se sentir pertencente e não competidor.
Procurar entender e respeitar o outro, apesar das divergências.
Saber que não se tem afinidade com todo mundo, mas ter um elo com a equipe.
Ser humano não é máquina, precisa de afeição.
Oferecer ajuda, em vez de questionar se a pessoa está bem.
Sair um pouco do ambiente onde está por muito tempo.
Visitar lugares diferentes para se sentir melhor.
Promover e participar de confraternizações promovidas pelos colegas.
Investir nas reuniões de equipe, porque é um espaço para fortalecer as relações.
Saber trabalhar em rede e não individualmente.
Quebrar a resistência entre os colegas.
Saber que se a equipe não fala a mesma linguagem, o paciente percebe.
Desenvolver a habilidade da comunicação.
A falta de afeto pode ser prejudicial na interação com o próximo.
Buscar soluções viáveis e não se desgastar com o que não é possível.
Enxergar além da rotina e valorizar as práticas e as experiências que deram certo.

Comentários