Momento de descontração: Míria Colombo e a coordenadora da Pastoral da Criança no Estado do Rio Grande do Sul, Inácia Cassol.
A Mãe Aparecida abriu seus braços e acolheu cerca de 560 pessoas que participaram do Congresso Nacional da Pastoral da Criança de 27 de julho a 2 de agosto de 2013. Entre eles, estavam coordenadores da Pastoral da Criança nos estados, setores e núcleos, além da equipe nacional, assessores técnicos, palestrantes e outros convidados. Também participaram do evento 20 responsáveis da Pastoral da Criança Internacional. A Diocese de Montenegro estava representada pela coordenadora diocesana da Pastoral da Criança, Míria Colombo.
O tema central do congresso foi “A criança como prioridade absoluta” e foi abordado pelo médico Nelson Arns Neumann, coordenador nacional-adjunto e coordenador da Pastoral da Criança Internacional. Segundo o site da Pastoral da Criança, com a diminuição do índice de mortalidade infantil, a entidade volta-se agora para novos desafios. Ser referência para a criança em situação de vulnerabilidade é uma das prioridades para os próximos três anos.
A cada oficina, palestra ou atividade da qual participou durante o Congresso, Míria Colombo lembrava a cada momento da realidade daPastoral da Criança na Diocese de Montenegro. “Em primeiro lugar, estávamos em um local abençoado, de muita paz. Senti-me acolhida pela Mãe Maria”, destaca. Dentre os temas que debateram, ela reitera a importância do cuidado para toda a vida, o que implica em cuidar das mães das crianças também, que precisam de carinho e atenção para poderem passar isso adiante. “Foi uma semana única. Compartilhamos muito mais as alegrias do que as tristezas, no entanto, não fechamos os olhos para a difícil realidade das famílias atendidas, principalmente em relação à violência”, relembra. Míria também afirma que a Pastoral definiu a criança como prioridade absoluta, e destacou a importância dos cuidados nos primeiros mil dias de vida (contando os 9 meses da gestação), que podem afetar a saúde de uma pessoa para sempre.
Em muitos momentos durante o Congresso foi falado para os 560 coordenadores da Pastoral que lá estavam da importância da caminhada da Igreja. “Na Igreja a prática da caridade requer organização, metodologia e planejamento. O carisma da Pastoral da Criança se sobressai pelas ações básicas, priorizando a visitação às famílias. É preciso evangelizar a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, alimentados pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Nossa mística consiste em amar e servir à vida e à família, especialmente aos pobres”, explica Míria.
Outro ponto forte do encontro foi a retomada sobre a origem histórica da Pastoral da Criança, há 30 anos, na cidade deFlorestópolis – PR, tendo à frente a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, falecida em 2010, vítima do terremoto que assolou o Haiti. Inclusive, segundo o bispo Dom Aldo Di Cillo Pagotto, o processo de beatificação de Zilda Arns será aberto em 2015. “Ouvimos os depoimentos de pessoas que na época eram as crianças atendidas e que sobreviveram à fome e à desnutrição graças às primeiras ações da Pastoral da Criança. Foi emocionante”, recorda Míria. Segundo ela, o cenário 30 anos depois é diferente. Hoje, o maior problema não é mais a desnutrição, e sim a obesidade infantil. “O que encantou a todos neste evento foi o resgate que Dom Aldo Pagotto fez das palavras do Papa Francisco em sua visita ao Brasil. Nosso trabalho na Pastoral da Criança é a vivência prática do que o Papa veio ensinar: que é preciso ir às famílias, principalmente aquelas que estão marginalizadas, esquecidas. Estamos indo aonde Jesus gostaria de ir com as próprias pernas e por isso Ele está conosco”, conclui.
A Pastoral da Criança na Diocese de Montenegro
Atualmente, há aproximadamente 730 famílias cadastradas pela Pastoral da Criança na Diocese de Montenegro e cerca de 820 crianças entre 0 a 6 anos atendidas. No entanto, o número poderia ser maior. Dos 32 municípios que integram a Diocese, apenas cinco tem Pastoral da Criança com coordenadora e líderes. “Esse é um desafio para nossa Diocese. Contamos com o apoio do clero para disseminar em suas paróquias a importância deste trabalho”, afirma Míria. Ela ainda acrescenta que a realidade apresentada pela Pastoral da Criança durante o Congresso em Aparecida é relativamente diferente daquela vivida em nossa Diocese. “Nós temos pobres aqui, mas também temos outras pastorais que atendem às necessidades materiais (roupa e comida, por exemplo), como a Cáritas. Nosso foco é oferecer a caridade do amor, do carinho, da orientação, da informação. Não basta dobrar os joelhos e olhar para cima; é preciso olhar para os lados também”, afirma.
Vale lembrar que, apesar de ser promovida dentro da Igreja Católica, a Pastoral da Criança tem caráter ecumênico e é aberta a todas as religiões e credos.

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