Neste domingo, 11 de agosto, celebra-se o Dia dos Pais. Trata-se de uma data mais do que comercial. Neste dia, recordamos a importância da figura paterna nos lares, nas famílias, nas instituições e na sociedade como um todo. Qual o papel de um pai e da presença paterna para os filhos? E dentro da Igreja, qual o sentido da paternidade? Podemos afirmar que os padres não deixam de ser pais, pois a Igreja nada mais é do que uma família. Os fiéis são os filhos que enxergam nos sacerdotes a segurança que só um pai é capaz de transmitir.
A inspiração para a maioria dos pais católicos é São José, proclamado "protetor da Igreja Católica Romana". Muitas palavras podem definir o que representa o pai na vida de cada um, mas poucas cabem tão bem quanto a palavra proteção. Além disso, pela fidelidade à Maria, sua esposa, São José também é conhecido como "padroeiro das famílias", o que reitera a importância da figura paterna para a permanência da instituição familiar em nossos dias.
O renomado teólogo brasileiro Leonardo Boff é autor do livro “São José: a personificação do Pai” (Campinas: Verus Editora, 2005). A obra é fruto de 20 anos de pesquisas que resgatam o lado divino da figura do carpinteiro José, pai de Jesus, de cuja vida pouco ou quase nada se conhece. Trata-se de uma obra de teologia criativa, que propõe uma reflexão crítica e atualizada com uma nova visão desse homem justo e cheio de virtudes, dono de uma fé profunda. Com base teológica, o autor sustenta a afirmação da personificação da Família Divina na família humana: o Pai é José, o Filho é Jesus e o Espírito Santo é Maria. Neste livro, Boff considera a nova concepção de família do mundo atual e reforça o papel de José como o pai, esposo, educador e trabalhador, com seus valores, atitudes e virtudes. Segundo ele, “a relação de Jesus com José, a quem chamava de pai, deve ter sido tão íntima que serviu de base para sentir a Deus como ‘Paizinho querido’ (Abba) e nos transmitir essa experiência libertadora. Isso já é suficiente para sermos eternamente gratos a ele”.
Segundo Dom Paulo De Conto, Bispo da Diocese de Montenegro, “Deus é Pai, amor, compaixão, perdão, ternura e misericórdia. Da mesma forma, o Bispo é um pai, afinal ele segue o exemplo de Deus Pai. E para ser pai é necessário sentir-se e estar no colo do Pai. No entanto, para estar no colo do Pai do céu, deve-se primeiro estar no colo do pai aqui na terra”, esclarece, ressaltando a importância de fortalecer os laços com a família de origem, de sangue. E continua: “Posso dizer que, mesmo que meus pais já estejam mortos, sinto-me no colo deles, igualmente dou colo, os afago e beijo. Diariamente peço a bênção e rezo com eles. Sem este amor, sinto que não é possível vir e falar do amor de Deus que é pai. E, além disso, comprovar que o Bispo é um pai”.
Portanto, neste domingo, façamos um confronto de amor com nosso pai, conhecendo-o, amando-o, pedindo perdão e perdoando. Pais vivos ou falecidos devem ser trazidos bem presentes no coração e no pensamento. Rezemos por nossos pais e por nossas famílias, nesta Semana da Família e neste mês das vocações.


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