Rumo à Jornada Mundial da Juventude: as expectativas da Diocese da Alegria
Agora falta pouco. Em menos de 10 dias católicos do mundo inteiro estarão reunidos em oração na cidade do Rio de Janeiro para a 27ª Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá de 23 a 28 de julho próximos. Tudo começou com um encontro promovido pelo Papa João Paulo II em 1984. A Jornada Mundial da Juventude (JMJ), como foi denominada a partir de 1985, continua a mostrar ao mundo o testemunho de uma fé viva, transformadora e a mostrar o rosto de Cristo em cada jovem. O lema deste ano é “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19).
A JMJ, que se realiza anualmente nas dioceses de todo o mundo, prevê a cada 2 ou 3 anos um encontro internacional dos jovens com o Papa, que dura aproximadamente uma semana. A última edição internacional da JMJ foi realizada em agosto de 2011, na cidade de Madri, na Espanha, e reuniu mais de 190 países e cerca de dois milhões de jovens.
Imaginem quantos católicos e cristãos do mundo inteiro gostariam de estar no Rio de Janeiro nesses dias? Alguns estarão pessoalmente, mas todos participarão de uma forma ou de outra, nas suas dioceses, nos encontros, nas celebrações.
Representarão a Diocese de Montenegro aproximadamente 400 pessoas, sendo que destas 23 serão voluntários que auxiliarão e orientarão todos os peregrinos durante os dias da Jornada.
Os preparativos para este grande evento começaram há dois, desde a realização da JMJ em Madri. Segundo o Pe. Blásio Henz, pároco da Paróquia São João Batista de Brochier e que está à frente da organização do grupo que irá para o Rio de Janeiro pela Diocese de Montenegro, a preparação envolveu muito estudo, formação e todo um trabalho em vista da evangelização. “Tudo começou com a formação para os multiplicadores em âmbito regional (CNBB Sul 3), depois nas dioceses, então nas paróquias e daí nos grupos, um passando as informações para os outros”, explica Pe. Blásio. Segundo ele, entre os critérios para definir os peregrinos que irão para o Rio de Janeiro estão a disponibilidade, o pertencimento a alguma comunidade ou grupo dentro da Igreja e a questão financeira, afinal, cada um arca com os custos de sua ida. “É um sentimento bonito que desperta na gente ver as pessoas que não irão para a Jornada, mas que estão envolvidas em todo o processo e que irão celebrá-la nas suas dioceses e paróquias. Isso nos deixa mais confiantes em relação ao trabalho da evangelização”, destaca o padre, que também reconhece o apoio das prefeituras dos municípios que integram a Diocese.
Conforme Pe. Blásio, os grupos agora estão se organizando para definir os detalhes em torno da viagem, como o que levar, por exemplo. “É claro que a ansiedade aumenta a cada dia e nesses últimos o fervor está maior. O que sinto é uma alegria por perceber que a Igreja não é só o padre e os líderes. A Igreja é todo o povo de Deus”. Para ele, dificilmente outro momento será portador de tanta satisfação como esse envolvendo a JMJ.
Inicialmente, há a expectativa em torno da Semana Missionária na Diocese de Montenegro, que acontece de 16 a 21 de julho, sendo que no dia 21, domingo, um grande evento será realizado no Ginásio Darcy Fetzner, em Brochier. Na ocasião, ocorrerá a ordenação diaconal do seminarista Márcio Weber, a Romaria Vocacional e o envio dos peregrinos que partirão em 10 ônibus para a Jornada Mundial da Juventude.
Vale destacar o trabalho do projeto Eai?Tchê? que é a expressão da organização do Rio Grande do Sul para a Jornada Mundial da Juventude.
A Jornada: programa de evangelização
Pe. Neimar Schuster é animador vocacional e ajuda Pe. Blásio na organização dos peregrinos da Diocese de Montenegro que irão para a JMJ. Ele também faz parte da organização do Eai?Tchê?. Essa será a terceira Jornada Mundial da Juventude da qual participa. “As anteriores me marcaram muito e sei que essa que se aproxima não será diferente, no sentido da revitalização da experiência pessoal de Jesus Cristo”, afirma. Para Pe. Neimar, quando se está no meio de uma multidão que se une em torno do mesmo ideal e da mesma energia, é impossível não se contagiar com esse espírito. “A Jornada é muito mais do que enxergar o Papa. É se sentir parte de um grupo que quer viver uma experiência de fé e de juventude”, explica. Na visão de Pe. Neimar, uma Igreja jovem é aquela que tem disposição, que luta por uma causa e que é capaz de apostar alto naquilo que acredita. “Devemos ser fiéis ao que o impulso nos provoca. Agora é a fase de apostar, de olhar para o futuro e colocar Jesus Cristo em nosso projeto pessoal de vida. Como programa de evangelização, a Jornada Mundial da Juventude é um barato”.
Dividir o altar com o Papa Francisco
Se participar pessoalmente da Jornada Mundial da Juventude já é algo memorável na vida de todos que estarão no Rio de Janeiro naquela semana, o que dizer das pessoas que poderão estar ao lado do Papa Francisco em pelo menos um momento de celebração. Pois um jovem de cada Diocese foi escolhido para dividir o altar com o líder máximo da Igreja Católica na celebração da missa do último dia do evento, no domingo (28), quando ocorrerá a coroação das duas semanas envolvendo a JMJ, desde a Semana Missionária até a Jornada propriamente dita. O articulador diocesano do Setor Juventude da Diocese de Montenegro, Neilor Schuster, foi escolhido pessoalmente pelo bispo Dom Paulo De Conto para representar a juventude de nossa Diocese. “Será uma honra poder celebrar com o Papa, no altar”, afirma. Neilor estará entre aproximadamente 200 jovens de todo o país e alguns padres que irão co-celebrar com o Papa.
Assim que recebeu a notícia de que havia sido escolhido, encaminhou toda a documentação exigida pela Polícia Federal que fará a segurança do Papa Francisco. “Ainda não ‘caiu a ficha’ do que vai significar estar ao lado do pastor da nossa Igreja. O que faço agora é rezar bastante para me preparar para esse momento. Além disso, pretendo trabalhar e me esforçar ainda mais para oferecer uma resposta positiva à confiança de Dom Paulo em relação à escolha de meu nome”, destacou Neilor. Para ele, o Papa Francisco mostra o tempo todo que a Igreja está a serviço do povo, com humildade e simplicidade. “E isso se revela não apenas nos textos e documentos que ele tem escrito, mas principalmente por meio de seus gestos, ações, por seu contato com o povo. Seu jeito simples é algo que cativa a juventude. Ele lembra muito o estilo do Papa João XXIII”, finalizou.
A Jornada na voz de alguns peregrinos
Em um dos dez ônibus que transportará os cerca de 400 peregrinos da Diocese de Montenegro para o Rio de Janeiro no próximo dia 21 de julho, estará sentado o jovem Kelvin Marques de Souza, de 19 anos. Na bagagem não faltará a ansiedade e a expectativa de viver dias inesquecíveis de renovação pessoal da fé e da vivência de uma Igreja alegre e rejuvenescida.
Kelvin é o coordenador do movimento CLJ – Curso de Liderança Juvenil – da Paróquia São João Batista, de Montenegro. Faz um ano que ele começou a se organizar financeiramente para pagar as despesas da ida ao Rio de Janeiro, que serão em torno de R$ 800,00, incluindo a inscrição, alimentação, hospedagem e deslocamentos. “Espero conhecer muita gente, passar nossas experiências com grupos de jovens e ouvir as sugestões e as experiências que eles também terão a compartilhar. Será uma viagem em prol da fé. É claro que também estou ansioso pela presença do Papa, afinal ele é um grande exemplo para nós”, destaca.
Bruna Castro de Deus, 22 anos, e Vitória Hartmann, 18, integram o CLJ da Paróquia São João Batista, de Brochier. Ambas contaram com a ajuda financeira dos pais para subsidiar os custos da viagem, sendo que Vitória destina parte de seu salário para esse fim desde o ano passado. Para Bruna, a Jornada é importante por se tratar, na sua visão, como a principal forma de perceber o mundo com uma face mais jovem da Igreja. “A participação do jovem torna a Igreja jovem”, define. Enquanto isso, Vitória destaca a importância do projeto Eai?Tchê?, que além de oferecer material informativo para os peregrinos, contribui com a animação para a JMJ.
No entanto, a Jornada Mundial da Juventude não será vivida e realizada apenas por aqueles que estiverem presencialmente no Rio de Janeiro nos dias do evento. Em cada diocese brasileira, os fiéis católicos estarão reunidos em oração e vigília, permanecendo ligados em pensamento e coração com aqueles representantes que lá estiverem. Afinal, há mil formas de celebrar uma atividade de fé tão grande como essa. É o caso da jovem Letícia Villani, de 18 anos, que participa no CLJ em Montenegro. Ela acompanhará todos os movimentos desde sua cidade. “Estou envolvida com a Semana Missionária e a formulação de cronogramas e definição das atividades. Participarei da JMJ pelos momentos de oração e vigília, juntamente com os jovens da Crisma e demais movimentos de nossa Igreja”, explica.
A recepção dos peregrinos estrangeiros
Na próxima semana chega à Diocese de Montenegro um grupo de peregrinos estrangeiros que também irá para a JMJ, mas antes participará da Semana Missionária nas cinco áreas de nossa Diocese. Serão aproximadamente 50 peregrinos alemães e 50 argentinos, que proporcionarão uma troca de experiências com os fiéis locais. As atividades da Semana iniciarão na terça-feira, 16, com a chegada dos peregrinos. A programação ainda terá missas, visitas a doentes e a pontos turísticos, atividades esportivas e recreativas e muita integração. Toda comunidade está convida a participar da Semana Missionária. No domingo, os jovens peregrinos estrangeiros também participarão do grande evento diocesano, com a celebração de envio, a ordenação diaconal do seminarista Márcio Weber e a Romaria Vocacional, em Brochier.

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